- Duas Taças

 
Duas taças, vinho Tinto,
Cordier Collection Privée,
 na penumbra do recinto..
 Sozinho: Eu e você.
Som suave, brisa mansa, roçam em nós de mansinho,
 corpos colados na dança..
Trocas de afagos e carinhos.
 No Céu, um mundo estrelado:
 Galáxias, Constelações..
 No quarto quase apagados, batem fortes e acelerados,
dois felizes corações.
 Na cama,
 lençol de linho, uma colcha de cetim.
 Dois travesseiros jogados..
 Um casal apaixonado,
 brindando à vida..

- Paraíso

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Deixa ficar comigo a madrugada,
Para que a luz do sol não me constranja
Numa taça de sombra estilhaçada
Deita sumo de lua e de laranja

Arranja uma pianola, um disco, um posto
Onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de agosto
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, pode partir. Só te aconselho
Que acendas, para tudo ser perfeito,
À cabeceira a luz do teu abraço
Entre os lençóis, o lume do meu peito...

Depois pode partir, de nada mais preciso
Para minha ilusão do paraíso...

- Olhar que Procura

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Vida sem exaustão..
Ternura.. Guarida..
 Na chegada do caminho melhor !
Olhar que procura carinho..
 Quase inerte..
 Espera a vida com esperança..
Espero..
Esperança mesmo que tardia ..
Espero...
Olhar que procura, não quer desilusões.
 Olho ainda...
No desejo de encontrar sem medo...
Caminho...
 No meu molhar a procurar !!!

- Forças

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Falta-me forças para sorrir,
Falta-me forças para olhar você
E pedir-lhes para que não vá embora

Não me abandone na escuridão de meus pensamentos,
Pois falta-me forças para lutar.

Falta-me forças para caminhar,
Falta-me forças para respirar,
Falta-me forças para pensar em você.

Procuro-te ànoite,
Em todos os cantos de minha mente,
Onde tenho medo de viajar,
Onde nunca estive.

Procuro-te nos confins de minha cabeça
Só ouço sua voz,
Dizendo para eu ter forças
Mas meu coração esta lento e duro,
Pois não tenho mais forças para viver!

- Proposta

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Não quero passar por você simplesmente à toa,
como um meteorito perdido.
Não quero ser a Floresta de mistérios ou enganos,
incompreendida e intocada.
Não desejo ser a turbulência de um instante vazio,
de uma noite de vinhos ou de uma solidão áspera.
Não pretendo ser uma tempestade de ventos ruidosos,
mas a aragem de uma calmaria.
Não quero tampouco,
ser armadilha de laços ou passos incertos.
Quero ser sua Lua para clarear um caminho,
um Talismã para lhe dar sorte,
sua chama acesa, sua espada de Luta.
Quero ser seu ninho quente, seu porto seguro,
sua flauta doce para tocar cantigas de amor.
Quero fazer parte de sua vida, do seus sonhos,
e estar presente em todas as circunstancias .
Não como sombra per seguinte,
mas a parceira de todas as horas.
Quero ser clareira, o farol de felicidade,
a candeia .. a companhia.
Se houver agonia,
quero ser sua prece em versos brancos sua saudade inconstante, sua esperança.
E como há tempo, a gente sonhará muito.




- Sempre Medo...

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Dorme tensa a pequena sozinha como que suspensa no céu
Vira mulher sem saber, sem brinco, sem pulseira, sem anel
sem espelho, sem conselho, laço de cabelo, bambolê
Sem mãe perto, sem pai certo...sem cama certa, sem coberta,
vira mulher com medo, vira mulher sempre cedo.
Menina de enredo triste, dedo em riste,
contra o que não sabe quanto ao que ninguém lhe disse.
A malandragem, a molequice se misturam aos peitinhos novos
furando a roupa de garoto que lhe dão dentro da qual mestruará
sempre com a mesma calcinha, sem absorvente, sem escova de dente,
sem pano quente, sem O B.Tudo é nojo, medo, misturação de “cadês.”
E a cólica, a dor de cabeça, é sempre a mesma merda,
a mesma dor, de não ter colo, parque ..pracinha, penteadeira, pátria.
Ela lua pequenininha não tem batom, planeta, caneta,
diário, hemisfério, Sem entender seu mistério,
ela luta até dormir mas é menina ainda; chupa o dedo
E tem medo de ser estuprada pêlos bêbados mendigos do Aterro
tem medo de ser machucada, medo. Depois mestrua e muda de medo
o de ser engravidada, emprenhada, na noite do mesmo Aterro.
Tem medo do pai desse filho ser preso, tem medo, medo
Ela que nunca pode ser ela direito, ela que nem ensaiou o jeito com a boneca
vai ter que ser mãe depressa na calçada ter filho sem pensar, ter filho por azar
ser mãe e vítima. Ter filho pra doer, pra bater, pra abandonar.
Se dorme, dorme nada, é o corpo que se larga, que se rende
ao cansaço da fome, da miséria, da mágoa deslavada
dorme de boca fechada, olhos abertos, vagina trancada.
Ser ela assim na rua é estar sempre por ser atropelada
pelo pau sem dono dos outros meninos-homens sofridos,
do louco varrido, pela polícia mascarada.
Fosse ela cuidada, tivesse abrigo onde dormir,
caminho onde ir, roupa lavada, escola, manicure, máquina de costura, bordado,
pintura, teatro, abraço, casaco de lã podia borralheira
acordar um dia...cidadã. Sonha quem cante pra ela:
“Se essa Lua, Se essa Lua fosse minha...”
Sonha em ser amada, ter Natal, filhos felizes,
marido, vestido, pagode sábado no quintal.
Sonha e acorda mal porque menina na rua,
é muito nova é lua pequena demais
é ser só cratera, só buracos, sem pele, desprotegida, destratada
pela vida crua. É estar sozinha, cheia de perguntas
sem resposta sempre exposta, pobre lua
É ser menina-mulher com frio ..mas sempre nua.

- Por onde Andas ?

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Procuro-te pelo Espaço.
E o encontro nas Estrelas...
Na poeira cósmica, brilhando como Diamante eterno.
 Por onde andas ?
Viajando pelo Oceano..
inundando minha alma com vagas sentimentais,
 ou navegando sem rumo..
Singrando o meu coração..
Qual viajante em Desespero ?
 Por onde andastes ?
 Pelas ruas da vida, pelas suítes dos hotéis,
 ou pelo jardins colorindo-os ainda mais com cores vivas ?
Nos quadros, lindos, verdes, vermelhos e pastéis ?
 Por onde andas ?
E me respondestes...
sempre estive junto de ti,
 sempre no teu coração.

- Se eu tivesse asas


Se eu tivesse asas...
alçaria vôos altos
sobrevoaria por belas paisagens
chegaria a lugares distantes
que hoje, só meu pensamento consegue alcançar...

Se eu tivesse asas...
não como um anjo a te guardar,
mas como um pássaro errante,
te seguiria numa constante
sempre a te acompanhar...

Ah! Se eu pudesse voar...
agora, nesse instante, com certeza
estaria pousando na janela do teu quarto,
e sorrateira velaria o teu sono
até que voltasses a acordar...

Ah! Se eu tivesse asas...
mais que voar
eu poderia um dia quem sabe,
ao teu lado,
reencontrar a minha paz!...

- E juntos Adormecemos..

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Quero você antes eu o dia amanheça, antes que o Sol nasça..
nesta Lua  tão bela, tão branca, nua, pura,
esperando para ser amada.
Vem meu amor, dispa-me completamente.
Hoje sou tua...
Possua-me sem pudor, sem limites,
 fúria louca, queimando em fogo ardente.
 Quero suas mãos desvendando o meu corpo nu..
 seu suor se misturando ao meu
 Quero beber do cálice que é teu corpo,
 desvendar teus segredos, realizar teus desejos..
 sentir o cheiro do teu sexo.
Me faz fêmea, me enlouquece, neste cio, nesta tara.
 Momento único..
 fecho os olhos e entrego-me,
 de corpo e alma neste momento.
Quebrando o silêncio... os gemidos...
 e por fim o inevitável..
 o orgasmo. 
Trocas de carícias e olhares,
beijos longos e cheios de carinho..
 e juntos adormecemos.

- Seu Erro

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Amor sem tempo, amores que passam..
Momentos acabados, corações distantes, talvez despedaçados.. Corpos que já não se abraçam, esfriam sem o calor.
 O sorriso tão freqüente sumiu,
mas ninguém notou,
os anos já se passaram sem a lembrança de viver..
Deve ter se escondido para não mais sofrer.
 Mas nada adiantou condenar-se tanto,
viveu triste com seu pranto,
 sem a alguém pertencer, permanecer.
E agora que nada mais restou,
decidiu que é hora de viver, mas se esqueceu  que todos continuaram felizes, não importa como,
foram fortes, desafiaram a vida.
Mas nada é eterno, este foi seu erro,
 espero muito e esqueceu também do tempo,
 este que cruel não volta, leva a todos,
deixando apenas as lembranças ou talvez revoltas,
 por não ter sido feliz enquanto pode,
não ter amado quem merecia,
e ter morrido mesmo  estando com toda a vida.
Continuar a sofrer por errar, e nunca mais poder consertar.

- Tristeza

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Não era tanto... Mas não cabia no peito
Era mais que pranto com lágrimas e olhos vermelhos
Assim pelo meu desespero,
Por despetalar o que fora inteiro
A dor era o amargo lenitivo
Era fronteira que dividia os sentidos...
E unificava os versos como música
Ah! Se aquela estação fosse a última!
Se não houvesse tantas após
Se o tempo não fosse meu próprio algoz
Quando a noite findava a loucura
Adormecia em Sol menor e despertava com a Lua
Seguia os áureos ventos que insinuavam as veredas
Era um peregrino das paisagens serenas
Mas se aproximava o temporal e o cataclismo
Agora a brisa é vendaval, e ascensão é declínio
Via o vão abissal que fragmentava minha alma
Eu já não era imortal como imaginava
Assim como o palco vazio de um teatro
Meu espírito num monólogo e... fim do primeiro ato!
Resta-me o império devastado, E uma esperança em ruínas
Que antes da noite chegar, Tu me levarás a vida
Agora... sou constelação de uma estrela
Sei que não é o momento... Mas desculpe minha tristeza...